Eleições gerais Guiné-Bissau 2026 (Assembleia Nacional Popular) — Resultados ao vivo
Os resultados ao vivo aparecerão aqui assim que a contagem começar, no dia da eleição. Esta página é atualizada automaticamente.
Governo e coligações
No poder hoje
A Guiné-Bissau não tem Presidente eleito nem parlamento eleito. O major-general Horta Inta-a foi empossado Presidente da República de transição a 27 de novembro de 2025, no dia seguinte à deposição de Umaro Sissoco Embaló pelos militares, e disse no discurso de tomada de posse que o seu mandato duraria um ano a contar desse dia. Ilídio Vieira Té é primeiro-ministro do Governo de transição e detém também a pasta das Finanças. As funções parlamentares são exercidas pelo Conselho Nacional de Transição, órgão de 65 membros designado pelo Alto Comando Militar. O resultado das eleições gerais de 23 de novembro de 2025 nunca foi publicado.
A transição reescreveu a Constituição e a lei eleitoral; o Presidente de transição promulgou-as e foram publicadas no Boletim Oficial em fevereiro de 2026. O referendo de 30 de agosto de 2026 decidiu a sua entrada em vigor. A presidente da Comissão Nacional de Eleições, a juíza Cármen Lobo, anunciou que dos 914.428 eleitores inscritos votaram 572.714, dos quais 383.117 a favor da nova Constituição e 160.904 contra, o que a comissão apresentou como 70% e 30% dos votos válidos. Os partidos da oposição que apelaram ao boicote afirmam que a abstenção foi superior a 90%. Pelos novos textos, a câmara passa a chamar-se Assembleia Nacional e desce de 102 para 65 deputados; uma nota enviada à imprensa pela comissão fixa 17 mandatos para o Sector Autónomo de Bissau (antes 20), nove para Oio (16), Bafatá (14) e Gabú (14), sete para Cacheu (14), cinco para Biombo (6), três para Tombali (7), dois para Quinará (6) e dois para Bolama/Bijagós (3), mantendo a diáspora dois. O Presidente da República passa a presidir sempre ao Conselho de Ministros e pode dissolver o parlamento.
O Alto Comando Militar afirmou a 1 de outubro que se mantêm em vigor, até nova decisão das autoridades competentes, as medidas de segurança adotadas no âmbito da transição, entre elas a proibição de manifestações, concentrações e aglomerações de natureza política. A 23 de setembro as forças de segurança tomaram a sede do PAIGC na Praça dos Heróis Nacionais, ao abrigo de uma ordem que obriga as instalações partidárias situadas a menos de 500 metros de instituições do Estado a mudarem-se; o partido contesta a sua base legal.
Coligações possíveis
A realização do escrutínio a 6 de dezembro está em aberto, e foram as próprias autoridades de transição a colocar a data em causa. Foi fixada pelo Decreto Presidencial n.º 02/2026, de 21 de janeiro de 2026, após audições separadas com o Conselho Nacional de Transição, o Alto Comando Militar, o primeiro-ministro e a comissão eleitoral. A 8 de outubro a secretária executiva da comissão, Felisberta Moura Vaz, disse ao Presidente de transição que a realização das eleições nessa data é impraticável do ponto de vista técnico e processual, por o cronograma das atividades devidas 90 dias antes do escrutínio estar comprometido. O primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, afirmou que os prazos legais não foram cumpridos, apontando a apresentação de candidaturas junto do Supremo Tribunal de Justiça e a caducidade dos órgãos de vários partidos, que não realizaram os congressos necessários à sua renovação. A 9 de outubro o segundo vice-presidente do Conselho, Nelson Moreira, disse que o órgão partilha essa posição. Os três dizem que a decisão cabe ao Presidente de transição e tem de ser tomada por decreto; a 22 de outubro nenhum havia sido publicado.
Quanto às candidaturas, Umaro Sissoco Embaló afirmou a 28 de setembro, em entrevista à Jeune Afrique a partir de Brazzaville, que será candidato, e anunciou o regresso a Bissau para 4 de outubro depois de vários meses em Marrocos; disse que participaria no congresso do seu partido, o MADEM-G15, a 16 e 17 de outubro, e que lançaria depois uma Plataforma Republicana de partidos para apoiar a sua candidatura. O porta-voz do Conselho, Fernando Vaz, disse que qualquer cidadão guineense que cumpra os requisitos da lei pode candidatar-se e que tal candidatura seria analisada pelas instituições competentes. O Alto Comando Militar travou depois o regresso, afirmando a 1 de outubro que não estão, por enquanto, reunidas as condições para garantir a sua segurança. Embaló respondeu na sua página do Facebook que a decisão impede o seu regresso, pediu serenidade aos apoiantes e manteve a candidatura, dizendo esperar que seja apreciada pelos tribunais com independência e imparcialidade.
About this election
A Guiné-Bissau vota a 6 de dezembro de 2026
A Guiné-Bissau tem eleições gerais marcadas para 6 de dezembro de 2026 — presidenciais e para a Assembleia Nacional Popular —, numa tentativa de restaurar a ordem constitucional após o golpe militar de novembro de 2025. A data foi fixada pela junta que tomou o poder, o Alto Comando Militar para a Restauração da Ordem, que anulou os resultados da eleição disputada dias antes e anunciou uma transição de um ano.
Como sucede com todos os marcos políticos recentes deste pequeno país da África Ocidental, o calendário de 2026 é frágil e depende da situação política e de segurança. Esta página descreve as instituições, a crise que produziu a junta e aquilo que uma eleição credível exigiria.
A crise de 2025
A Guiné-Bissau realizou eleições gerais a 23 de novembro de 2025, mas, antes da divulgação dos resultados oficiais, militares das Forças Armadas Revolucionárias deram um golpe a 26 de novembro, detiveram o Presidente Umaro Sissoco Embaló e instalaram um comando militar que anulou a votação. Tanto Embaló como um dirigente da oposição haviam reclamado a vitória, e o país mergulhou na sua mais recente rutura institucional.
A junta, condenada pela União Africana e pela CEDEAO, fixou uma transição de um ano e, por decreto de 22 de janeiro de 2026, marcou novas eleições presidenciais e legislativas para 6 de dezembro de 2026, impedindo simultaneamente a candidatura de várias figuras, entre as quais os líderes do golpe.
Um historial de instabilidade
A Guiné-Bissau tem um dos historiais de golpes mais pesados do mundo: desde a independência de Portugal em 1974, nenhum presidente eleito cumpriu um mandato completo sem golpe, tentativa de golpe ou instabilidade grave, e os militares intervieram repetidamente na política. O país tem também lutado contra o seu papel de plataforma de trânsito da cocaína entre a América Latina e a Europa, que corrompeu partes do aparelho de Estado. Neste contexto, cada eleição é tanto um teste à escolha dos eleitores como à disposição do exército para aceitar o resultado.
Como se vota
Pela Constituição, o Presidente é eleito por maioria em duas voltas para um mandato de cinco anos, e os 102 deputados da Assembleia Nacional Popular são eleitos por representação proporcional em círculos plurinominais, incluindo lugares para os cidadãos residentes no estrangeiro. Os partidos historicamente dominantes são o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), antigo movimento de libertação, e o Partido da Renovação Social (PRS), a par de coligações variáveis. Os conflitos frequentes entre presidentes e parlamentos, e entre fações rivais do PAIGC, alimentaram grande parte da instabilidade, com presidentes a dissolver repetidamente a Assembleia.
O historial recente
A eleição anulada de novembro de 2025 foi ela própria produto da crise: Embaló dissolvera o parlamento em 2023, após uma anterior tentativa de golpe, e governava sem legislatura em funções. A sua própria eleição, em 2019-2020, foi contestada pelo PAIGC, que inicialmente recusou reconhecer o resultado. É precisamente este padrão de resultados contestados e de colapso institucional que a eleição de 2026 pretende encerrar — se puder realizar-se livremente e se o seu resultado for aceite por todas as partes, incluindo os militares.
O que observar em 2026
As questões decisivas são se a junta cumpre o calendário e permite uma votação genuinamente livre, que dirigentes e partidos civis são autorizados a concorrer, e se as forças armadas e os candidatos derrotados aceitam o desfecho. A CEDEAO, a União Africana, as Nações Unidas, Portugal e outros parceiros pesarão sobre a credibilidade do processo. Dado o historial de adiamentos e reviravoltas, a data de dezembro deve ser tratada como provisória até confirmação.
O que esta página mostra
Caso a eleição se realize, os resultados oficiais da Comissão Nacional de Eleições aparecem aqui à medida que forem publicados, com a distribuição de mandatos e a participação, acompanhados sempre da parte do apuramento em que assentam. Não são publicadas nesta página projeções, e nenhum vencedor é declarado antes de a contagem o ter determinado.
Perguntas frequentes
Quando são as próximas eleições na Guiné-Bissau?
Estão marcadas para 6 de dezembro de 2026 — presidenciais e legislativas para a Assembleia Nacional Popular. A data foi fixada por decreto de 22 de janeiro de 2026 pela junta militar. Dado o historial de adiamentos, deve ser tratada como provisória até confirmação.
O que aconteceu em 2025?
A Guiné-Bissau votou a 23 de novembro de 2025, mas antes da divulgação dos resultados oficiais militares das Forças Armadas Revolucionárias deram um golpe a 26 de novembro, detiveram o Presidente Umaro Sissoco Embaló e anularam a votação. A junta anunciou uma transição de um ano e foi condenada pela União Africana e pela CEDEAO.
Como funcionam as eleições na Guiné-Bissau?
O Presidente é eleito por maioria em duas voltas para cinco anos. Os 102 deputados da Assembleia Nacional Popular são eleitos por representação proporcional em círculos plurinominais, incluindo lugares para os cidadãos no estrangeiro.
Porque é que a Guiné-Bissau é tão instável?
Desde a independência de Portugal em 1974, nenhum presidente eleito cumpriu um mandato completo sem golpe, tentativa de golpe ou instabilidade grave. O país serve ainda de plataforma de trânsito de cocaína entre a América Latina e a Europa, o que corrompeu partes do aparelho de Estado.
Quais são os principais partidos?
O PAIGC, antigo movimento de libertação, e o Partido da Renovação Social (PRS), a par de coligações variáveis. Os conflitos entre presidentes e parlamentos, e entre fações do PAIGC, explicam boa parte da instabilidade.
A eleição vai ser credível?
Depende de a junta cumprir o calendário, de quais dirigentes civis são autorizados a concorrer e de as forças armadas e os derrotados aceitarem o resultado. A CEDEAO, a União Africana, as Nações Unidas e outros parceiros acompanham o processo.
Compiled and reviewed from official results by ElectioMap. See our data methodology.